São novamente quatro horas, neste momento estou paranda defronte a porta há algumas horas, esperando talvez, que por ela você entre ao meu encontro.
Os ventos me trouxeram a notícia de que o indispensável pode se tornar inútil se com o passar do tempo for esquecido. Essa é uma das maiores crueldades que o tempo pode criar, transformar o velho e o bom, no mais novo inimigo.
Quem sabe daqui uns dias, você passe por mim me olhe com um olhar novo, talvez diga uma palavra, qualquer que seja que não a lembre. E então peça me desculpas por me fazer te odiar por alguns dias.
Eu te liguei ontem a noite, pra dizer que ouvi a nossa música tocar no rádio, mas você estava com ela, e decidiu não atender. Então eu voltei pra nossa cama, desde que você se foi, aquele pedaço de madeira improvisado que tanto gostavamos, se tornou sem graça e frio.
Decidi então fazer um chá, e voltar a sentar defronte a porta, que um dia pra mim, você passará, sem ela.

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